Ontem tive uma reunião com a equipe sobre o plano de trabalho que darei início assim que for eleita, se Deus quiser. Um dos assuntos que foi discutido confesso que me irrita só de pensar nele: a
violência contra a mulher. Eu nunca fui vítima, mas como mulher sei exatamente o que ele significa. Falar sobre este assunto já nos dá a impressão de que nós é que estamos sendo agredidas. Vemos tantos casos terríveis relatados, mas é incrível como alguns dias depois já caiu no esquecimento. Dói mais ainda imaginar que a grande maioria ainda não é sequer registrada.
Hoje no comando do governo federal há uma Mulher de fibra e que, tenho certeza, também se preocupa com o assunto, mas no dia a dia pouca coisa mudou de fato. A dúvida que fica na cabeça da gente é:
até quando isso vai continuar?
A verdade é já existem as Delegacias da Mulher, mas em número insuficiente (pensando no país). O sistema de atendimento que acaba por agredir novamente a mulher que chega para registrar a ocorrência, pois após fazer o boletim é encaminhada para passar pelo exame de corpo de delito. O detalhe é que ela saiu de casa, após a agressão, apenas com a roupa do corpo e sem nenhum dinheiro. Precisa pegar um ônibus e não pode pagar a passagem. Algumas vezes ainda está com uma ou mais crianças ao seu lado.
Após o exame, começa um outro martírio... ela é encaminhada para uma das poucas casas de acolhimento existentes e que não tem estrutura para abrigar as crianças. Acontece ai a agressão legalizada contra a mulher quando os filhos são retirados de seus braços e encaminhados para o conselho tutelar que irá indicar uma instituição que possa recebê-los. Machucada e completamente desestruturada, ela vê seus filhos serem retirados de seus braços sem direito a questionar. Tentem se imaginar vivendo uma situação como esta.
Em nossa cidade o cenário não é diferente do que se vê pelo país afora e por isso está mais do que na hora de nos unirmos e fazer valer o que determina a Constituição Brasileira. Você sabia que qualquer pessoa pode denunciar um caso de agressão, mesmo que anonimamente? Você sabia que a Lei Maria da Penha (
http://www.cress-ba.org.br/arquivos/lei_maria_penha.pdf) acolhe também casos onde o homem é agredido pela mulher? Você sabia que também é considerada agressão contra a mulher o bloqueio financeiro?
Temos que denunciar. Temos que gritar alto. O tempo de provar que não há diferença perante a sociedade entre homem e mulher já passou. Vivemos no terceiro milênio, a era da conquista e da soma de esforços para enfrentar os reais desafios da vida como educação dos filhos e manutenção da família e não mais de provar nada. Sou mãe. Sou mulher, conheço meus direitos e não abandono meus princípios. Nunca!
Como Vereadora terei sempre sobre minha mesa este tema e estarei pronta para ir até onde for necessário e encarar quem quer que seja nesta luta. Buscar a valorização das ONG´s que tem dado um apoio importante na complementação daquilo que o poder público não tem conseguido oferecer e propor a criação de novas casas de acolhimento para receber os casos onde, infelizmente, não for possível evitar. Buscar ainda parcerias para criar projetos de conscientização, palestras e atividades junto a todos os bairros levando mais conhecimento, informação e apoio a quem vive ou conhece casos reais de agressão. Eu espero poder, junto com as mulheres de Praia Grande, comemorar muitas conquistas nesta área.
A cada uma das mulheres de Praia Grande deixo claro que tem em mim uma eterna lutadora pela garantia dos direitos da pessoa. Contem comigo pois este desafio faço questão de enfrentar junto com vocês. Bjs amigas!