domingo, 8 de julho de 2012

A VIOLÊNCIA EM PRAIA GRANDE - UMA EPIDEMIA SILENCIOSA

Neste sábado, dia 7 de julho, acordei pronta para enfrentar meu trabalho. Um dia com céu encoberto onde a praia não parecia ser a melhor opção. Naturalmente como nós moradores sabemos, o calçadão logo se encheu e alguns, mesmo com um vento frio, se arriscavam a um banho de mar.

Abri meu computador e comecei a atualizar minhas informações. Ler emails, responder às mensagens nas redes sociais, exatamente como faço sempre que sobra um tempinho. Me deparei logo no início com uma frase postada por uma pessoa em uma das redes sociais que, infelizmente, já se tornou usual em nossa cidade: “o calçadão está cheio então tomem cuidado com as bolsas, relógios, correntes e celulares”.

É inevitável que a gente volte a pensar “por que tem que ser assim”? Por que uma cidade como Praia Grande, uma estância balneária que recebe visitantes diariamente, reconhecida como a cidade que mais cresce na baixada santista e que é conhecida em todo o país pelo potencial para o progresso, tem que sofrer com uma realidade tão cruel? Normalmente os mais idosos ou as mulheres tem seus bens subtraídos em plena luz do dia. Normalmente tudo acontece muito rápido e quando as vítimas se dão conta, os delinqüentes já estão a vários metros de distância ficando para si apenas a frustração e algumas vezes momentos de desespero e revolta como já presenciei várias vezes.

Os dados indicam que algumas crianças e jovens que perambulam pelo calçadão, normalmente de bicicleta e misturados a multidão, são os principais responsáveis por este tipo de delito. Vemos vez ou outra as autoridades realizarem abordagens nas quais param e revistam aqueles que demonstram atitudes suspeitas, mas que raramente conseguem efetuar um flagrante visto que os itens furtados são rapidamente repassados, dificultando a caracterização do furto. Como impedir? Melhor ainda seria descobrir “como prevenir e evitar” que cheguemos a este ponto?

Inúmeras causas são apontadas como geradoras desta realidade. Dentre elas a falta de uma educação mais rígida por parte dos pais e familiares. Outros atribuem ao sistema de ensino alegando ser falho, permitindo que as crianças de Praia Grande atinjam a adolescência sem que os compromissos com a educação sejam delas exigidos. Há ainda aqueles que atribuem a um sistema de segurança pública ineficaz e que, apoiado em leis frágeis, não consegue aplicar as punições adequadas. Existem relatos de que alguns jovens “apreendidos” em flagrante de delito são liberados antes mesmo de chegar à delegacia onde seria lavrado o boletim de ocorrência, o que já inclui ai alguns membros do sistema como co-responsáveis pela criminalidade.

Recentemente eu soube do caso de um menor apreendido e encaminhado à delegacia onde ficou detido até a chegada dos pais ou responsáveis que seriam trazidos por uma viatura policial. Horas depois constatou-se que a mãe, que chegou para responder pelo delito do filho, era procurada por assassinato. Aparentemente fica explicada ai a realidade desta vida tão jovem e já entregue ao mundo da delinqüência. É importante chamar a atenção, no entanto, para o fato de que procuramos uma solução e não a explicação. Ela sim poderia trazer algum alento e com o passar do tempo a cura para este mal que vem assolando Praia Grande. De qualquer forma no caso deste garoto foi um passo significativo. Claro que seria importante saber se houve um encaminhamento adequado para a situação do garoto ou se ele foi simplesmente devolvido para a sociedade graças a fragilidade das leis de execução penal. Espero que não tenha sido assim. Eu não tive mais informações. O fato é que muitas são as causas apontadas. Muitas são as cobranças e acusações, mas infelizmente ainda são poucas as ações práticas e efetivas que envolvam a população nesta árdua tarefa. Muitos reclamam, mas poucos fazem de fato.

Trabalhando há anos diretamente com as comunidades mais carentes, tenho percebido que muitos dos elos da corrente que forma o caráter do cidadão estão muito frágeis. Famílias sem acesso a informação, jovens sem preparo e que não encontram espaço no mercado de trabalho. Crianças sendo educadas por apenas um dos pais visto que o relacionamento, que teve início frágil, não suportou o simples amadurecimento do casal, dentre outros inúmeros motivos tem sido os principais formadores de uma geração que não vê perspectivas e que é facilmente engolida pelas aparentes facilidades oferecidas por esta vida de aparente liberdade geral.

Tenho participado de inúmeros projetos implantados diretamente nas comunidades, junto às populações mais carentes e em função deles, acredito realmente que trabalhar a criança e o jovem, desde a mais tenra idade seja uma das melhores soluções. Certamente outras boas iniciativas existem e pessoas há que também podem se somar a estes esforços. Sociedade não sou eu ou você que está lendo. Entendo por sociedade o “nós” que envolve todos os poderes em conjunto com a comunidade. Somente nós todos juntos poderemos solucionar este problema.

3 comentários:

  1. Roberta parabéns pela clareza no texto, pela percepção e por expressar por essas palavras, o que penso e sinto....

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  2. Não estou entendendo mais nada....em anos atraz apoia Alexandre cunha Marido agora apoia Mourão um desafeto..nato... que politica é esta..Praia Grande.

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